100 anos de Nelson Mandela

Mandela

Nos 100 anos de Nelson Mandela, urge lembrar:

Até ser libertado da prisão, Mandela via a luta armada revolucionária como forma de derrubar a ditadura do Apartheid. Longe da imagem de “pacifista humanista” – como um Gandhi – Mandela era um guerrilheiro. Seu grupo, o CNA, combatia com armas o poderoso Exército Sul-Africano.

Assim, o homem que combatia a opressão racista era visto pelo Ocidente capitalista como “terrorista” – semelhante a como nossos revolucionários brasileiros são insultados por escolherem lutar com armas contra a ditadura numa época sem Habeas Corpus em que protestos pacíficos eram proibidos. Era terrorista para o Ocidente não porque lutava com armas (afinal o Ocidente financiou e armou várias guerrilhas armadas de direita durante a Guerra Fria), mas porque o racismo do Apartheid era um regime aceitável para o mundo livre, por se opor ao comunismo.

Em pleno final dos anos 80, quando o Apartheid era odiado pela maioria do mundo e desmoronava com boicote, sanções, a oposição interna e externa, a África do Sul racista ainda era apoiada por Reagan, Thatcher e Israel – que apoiavam diplomaticamente o governo, lhe davam apoio militar e impediam mais sanções. Israel, por exemplo, ajudou a África do Sul a ter um programa nuclear.

Por outro lado, quem foi que sempre ajudou Mandela em sua luta contra o Apartheid? Cuba, URSS, Líbia de Gaddafi, as nações recém-independentes de Angola, Moçambique, Zimbábue, o mundo não-alinhado, o Partido Comunista da África do Sul, cujo secretário-geral, Joe Slovo, era um judeu de pele branca. Foram estes comunistas, “ditadores”, “genocidas” que apoiaram a luta dos negros sul-africanos, que lhes deram armas e o apoio diplomático necessário para derrubar o Apartheid, enquanto o chamado “Ocidente Judaico-Cristão” que se gaba de suas “liberdades individuais” nada fez contra a repressão aos povos negros.

Destaque importante para Fidel Castro e as tropas cubanas majoritariamente negras que ele mandou para Angola quando a África do Sul racista invadiu o país para derrubar seu governo socialista. Na chamada Operação Carlota (assim chamada por causa de uma escrava cubana que liberou uma grande rebelião de escravos), não apenas a África do Sul foi derrotada militarmente, mas a Namíbia – que então era parte do território sul-africano – se tornou uma nação independente. Foi a partir daí que o regime da África do Sul se tornou verdadeiramente insustentável – e Fidel até hoje é reconhecidamente muito popular na Namíbia e outras nações africanas.

O programa da CNA para a África do Sul pós-apartheid era principalmente um programa socializante. Nacionalização das empresas e recursos naturais e a reforma agrária estavam incluídas. Pode-se criticar Mandela por ter tomado uma atitude conciliatória no fim do Apartheid, em um momento em que as massas negras ardiam de disposição revolucionária. Mas não se pode criticar que este homem foi uma figura heroica de grande magnitude, tendo permanecido progressista e se oposto ferrenhamente á Invasão de Bush ao Iraque ainda em 2003.

A imagem “paz e amor” de Nelson Mandela é uma forma da burguesia de castrar a capacidade revolucionária de sua mensagem, pregar que mudanças positivas podem ser feitas sem um programa radical, sem se derrubar um sistema. Foi o que fizeram com a Luta pelos Direitos Civis nos EUA, que embora lembrada pelas marchas pacificas de Martin Luther King, teve grande contribuição de militantes radicais que defendiam a luta armada, como Malcolm X e os Panteras Negras. E o Dr. King também era um socialista e um progressista.

A Direita fascista já sabe do apoio comunista a Mandela e seu progressismo. Exatamente por isso, uma opinião minoritária tem se dedicado a chamar Nelson Mandela de “terrorista” e “assassino” e falar de como a África do Sul está pior agora que no Apartheid graças á suas políticas “”socialistas””. Isto, claro, nada mais é que uma defesa envergonhada daquele regime racista hediondo, apoiado pela Direita internacional durante toda sua existência – e não oposto por ninguém a não ser pelos socialistas, revolucionários e “esquerdistas”.

Por Comunista Opressor.

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