Os verdadeiros campeões!

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A seleção francesa de futebol, este símbolo esportivo e bastante adequado da “democracia racial” a la francesa, o mito da democracia racial desenvolvido e defendido por teóricos como o brasileiro Gilberto Freyre.

O mito da “democracia racial” é, por trás dos engodos que maquiam esse conceito, a ideia de que os países oriundos da colonização europeia (ou as próprias colônias da época) promoviam, ou poderiam promover com facilidade, uma sociedade que integra de forma justa e adequada os brancos e os negros.

A realidade, todavia, é um pouco diferente.

Apesar dos povos negros se sacrificarem nas sociedades coloniais (dirigidas por Portugal, França, etc.), a maneira como os povos negros são tratados nessas sociedades coloniais (ou pelos países que herdam os privilégios do colonialismo), nos apontam que, se os países de primeiro mundo pudessem, não entregariam sequer uma migalha de volta a tais povos que tanto se sacrificaram.

Embora a ideia do “império ultramarino de várias raças”, ou mesmo a ideia da “história de amizade e contribuição entre os povos da França e os povos de África”, nos soe como algo belo e bonito, algo que a seleção francesa utilizou com muito afinco (e a própria mídia ocidental reforçou, a exemplo da Globo), a verdade é um pouco mais dura que isso.

Os europeus comemoram com grande entusiasmo e alegria os títulos trazidos para suas seleções e seus times, muitas vezes, títulos trazidos com a contribuição de imigrantes ou filhos de imigrantes (e este era o caso de boa parte da seleção francesa).

Entretanto, todo este entusiasmo e alegria é diretamente proporcional ao caos que a França causou aos povos de África, assim como ainda causa em muitos países africanos, e assim como ainda causa em vários países de Terceiro Mundo de outros continentes, a exemplo da Síria.

Não deixa de ser satisfatório ver a infelicidade de alguns jogadores da seleção croata, assumidamente simpáticos ao fascismo, serem vendidos por uma seleção, em boa parte, oriunda de descendentes de imigrantes. Mas isso não significa que possamos esquecer a hipocrisia do Estado francês quanto à sua história e à sua política externa.

Em alguma medida, os jogadores da seleção merecem ser parabenizados. Só não esqueçamos que o símbolo e a impressão que a França tem tentando promover ao mundo por meio desta seleção não corresponde ao que é a própria sociedade francesa, nem o que busca ser o próprio Estado francês.

A França, com este cosmopolitismo superficial e propagandístico, pode até tentar, mas nunca conseguirá esconder a história!

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