Caminhoneiros têm apoio de empresários e parlamentares

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A falta de uma liderança nacional dos caminhoneiros — que promovem uma paralisação nacional desde segunda-feira — dificulta uma solução rápida para o problema. O movimento tem apoio de empresários do setor do transporte e de alguns parlamentares, mas está fragmentado entre diversas associações. O perfil “rodoviarista” do país é o que dá força à movimentação, disse um representante do setor.

Um exemplo da fragmentação dos caminhoneiros é o fato de que dez entidades representativas participaram da reunião realizada na quarta-feira no Palácio do Planalto para discutir soluções para a crise. O movimento ganhou a adesão dos empresários do setor de transporte, da Confederação Nacional dos Transportes (CNT).

Os líderes que estão respondendo pela paralisação, da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, e da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, admitem não ter o controle dos filiados. Por isso, alguns excessos estão sendo cometidos, como bloqueio de alguns pontos nas estradas, impedimento de passagem de caminhões com produtos perecíveis e carga viva. A ordem da direção é que os protestos sejam pacíficos.

A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) diz somar cerca de um milhão de caminhoneiros autônomos, que seriam 70% do total no Brasil. Ela representa 120 entidades entre associações, federações e sindicatos em todo o país. Já a Abcam representa um grupo de cerca de 600 mil.

Muitos caminhoneiros autônomos, no entanto, agem por conta própria e por isso, há dificuldades de acabar com greve.

Segundo os dirigentes das entidades, o movimento não tem ligações políticas, mas eles mantém interlocuções no Congresso, com o deputados como Nelson Marquezelli (PTB-SP) — que foi relator da Lei dos Caminhoneiros —, Valdir Colatto (MDB-SC) e Assis Couto (PDT-RS).

Na quarta-feira, depois da reunião no Planalto, alguns líderes da paralisação fizeram uma investida no Congresso e conseguiram emplacar o fim do PIS/COFINS no projeto da reoneração da folha de salários, votado pela Câmara, apesar dos apelos do governo.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, descartou, na quarta-feira, uma intervenção federal, com o uso das Forças Armadas, por exemplo, para resolver o problema de desabastecimento. Padilha disse apostar no diálogo. Contudo, a Abcam reclama que procurou o governo na semana passada em busca de providencias e não obteve retorno.

A entidade alega ainda que desde outubro do ano passado, busca uma alternativa as reajustes diários do diesel por parte da Petrobras, sem qualquer êxito. Na avaliação de interlocutores do Planalto, há um sentimento de que a população apoia o movimento porque o aumento do preço da gasolina afeta todos os cidadãos, o que torna o governo refém dos fatos.

Reajustes menos frequentes

As principais entidades de classes ligadas aos caminhoneiros querem que a Petrobras altere sua política de preços de combustíveis. O pleito principal é que a estatal passe a alterar seus preços nas refinarias de forma mensal ou trimestral. O presidente José Hélio Fernandes, presidente da NTC&Logística, associação que reúne as empresas de transporte de carga do país, disse que a Petrobras precisa dar uma maior previsibilidade ao setor. A NTC&Logística representa as cerca de 120 mil empresas de transporte de carga.

Segundo ele, a retirada do setor de transporte da reoneração da folha foi uma das exigências feitas pelo setor em reunião com o governo na quarta-feira em Brasília.

– Era uma reivindicação do setor de manter a folha desonerada até dezembro de 2020 – disse Fernandes.

O setor de transportes tem duas categorias de caminhoneiros: os autônomos e os que são funcionários de empresas. Indústrias, cooperativas, rede de supermercados e diversos outros setores da produção têm motoristas próprios, contratados com carteira assinada, ou então contratam empresas de transporte de carga, que, por sua vez, contratam os motoristas autônomos.

Em geral, segundo fontes do setor, os autônomos respondem por cerca de 40% da frota das empresas de transporte de carga, dependendo do setor. De acordo com redes de varejo, funciona assim: empresas de transporte fazem o carregamento de produtos de matérias-primas até as centrais de distribuição. Depois, o trajeto até as lojas é feita ou pela própria rede ou por outras distribuidoras.

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