Governo e Legislativo fluminenses se agacharam diante da Fetranspor

Freixo

Estamos assistindo a um conjunto de horrores nesse parlamento. O clima do lado de fora é o pior possível. Como a população pode aceitar que um governo, cujo principal líder está preso em Bangu por corrupção, apresente como resposta à crise um pacote que sacrifica os mais pobres e os servidores da base do funcionalismo?

A esposa de Cabral, Adriana Ancelmo, está presa com ele em Bangu. Nós do PSOL, em 2010, apresentamos denúncia ao Ministério Público detalhando o papel do escritório de advocacia de Adriana Ancelmo no esquema criminoso do PMDB. Mas o MP sentou em cima e arquivou a denúncia.

Não é verdade que o pacote de maldades do governo prejudica somente os servidores. Ele inclui aumento de impostos para energia, telefonia e gasolina e extingue programas sociais essenciais como o Aluguel Social, Restaurante Popular, Renda Melhor e Renda Melhor Jovem. Essas medidas atingem toda a sociedade, por isso não há apenas servidores nas manifestações.

No dia 08/12, a base governista aprovou projeto que aumenta o Bilhete Único Intermunicipal de R$ 6,50 para R$ 8 e restringe o subsídio pago aos passageiros. Transporte público precisa ser tratado como direito universal, como saúde e educação

Isso não acontece porque o governo e o Legislativo não querem enfrentar a Fetranspor, a federação que representa os empresários de ônibus. A Fetranspor financia muita gente na Assembleia Legislativa, financia muito vereador, prefeito e governador. Hoje, as políticas de transporte estão privatizadas, quem controla são os empresários

A gestão da bilhetagem eletrônica é feita pelas empresas RioCard Cartões e RioCard TI, todas elas pertencem à RioPar, que é da Fetranspor. Lelis Marcus Teixeira, presidente da federação e do sindicato das empresas é um dos diretores da RioPar.

Eles decidem sobre preço das passagens, funcionamento das linhas, emissão de bilhetes. É por isso que existem absurdos como os donos dos ônibus serem os responsáveis por gerir a bilhetagem.

O PSOL apresentou medidas para que o sistema seja transparente, mas os deputados rejeitaram. Queremos que a caixa preta seja aberta, que as planilhas de custos e as informações financeiras da operação do sistema sejam publicadas, porque essas empresas prestam um serviço público.

Matéria original, por Marcelo Freixo.

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