Sérgio Cabral, um governo dos empresários

Um acidente com um helicóptero na praia de Jacumã, entre Trancoso e Caraíva, no município de Porto Seguro (BA), chamou a atenção do país. A queda do helicóptero foi amplamente noticiada, ainda mais porque uma das vítimas deste triste acidente há sete anos namorava o filho de Sérgio Cabral, governador do Rio. O acidente envolveu amigos do governador, empreiteiros, familiares e funcionários, em um episódio trágico, que emocionou ainda mais pelas crianças que estavam no voo.

No entanto, a tragédia provocou mais do que tristeza e solidariedade. Deu início a mais um escândalo que envolve o governador Sérgio Cabral e mostra suas relações com empreiteiros, doleiros, empresários com processos ambientais…

Eike Batista doou R$ 750 mil para a campanha de Cabral, em 2010. Está envolvido na preparação da Copa e goza de isenção de impostos. Foi em seu avião que Sergio Cabral e sua família viajaram ao Sul da Bahia.

O empresário Fernando Cavendish, que festejava o seu aniversário num resort no sul da Bahia com Cabral, é dono da Delta construções. Apenas este empreiteiro receberá do governo do estado R$ 1 bilhão – são 18 contratos com o governo estadual, sendo que 13 sem licitação.

Sem falar em Marcelo Mattoso de Almeida, dono do helicóptero que caiu. O ex-doleiro acusado de fraude cambial há 15 anos é dono do Jacumã Ocean Resort, onde Cabral se hospedou. Este mesmo doleiro foi dono da empresa Firts Class, acusada de crime ambiental na Praia de Iguaçu, na Ilha Grande, Angra dos Reis.

Sergio Cabral, um governador a serviço dos empresários

O governador procurou se esconder da imprensa, ocultando a sua presença no Sul da Bahia. Em vão. Desmascarado, foi alvo de duras críticas sobre suas relações com os empresários. Eike Batista, saiu na defesa do governador, e disse que “tem o direito de escolher os seus amigos”. Sim, claro, mas Sergio Cabral, ocupando este cargo, não tem o direito de receber presentes, como o transporte e hospedagem no litoral baiano.

O governador chegou a fazer uma mea-culpa, mais de uma semana depois, com uma conversa mole de que iria pensar em um “código de ética” a ser adotado. Ora, todos sabemos que qualquer funcionário público está sujeito a um código de conduta, que proíbe receber presentes. O objetivo é prevenir a corrupção e as relações carnais entre quem representa a população e quem presta serviço e recebe por isso. Se isso vale para o funcionário público, no balcão, imagina para o governador.

A demagogia não consegue esconder que este governador coloca o Estado a serviço das empresas. Contra os trabalhadores. O lema de sua campanha “Estamos juntos” cai como uma luva, não para o eleitor. Mas para as empresas.

As isenções e concessões de benefícios fiscais chegam a R$ 50 bilhões. O relatório de empresas agraciadas, feitas a pedido do deputado Marcelo Freixo (PSOL), mostra a renúncia fiscal até mesmo uma casa de prostituição e a rede de cabelereiros Werner Coiffeur, frequentada pela esposa do governador. Cada uma delas deixou de pagar mais de R$ 300 mil em impostos… “Estamos juntos!”

Mesmo assim, na maior cara de pau, o governador paga aos professores um salário de R$ 700 e aos bombeiros R$ 950. Diz que não tem dinheiro para reajustar os profissionais e pede paciência.

O escândalo que envolve o governador do Rio de Janeiro exige em primeiro lugar uma auditoria nas contas do estado, nas obras já realizadas e nas que estão em andamento. Se for comprovado desvio de dinheiro público ou favorecimento de empresários, é necessária a prisão e o confisco dos bens de todos os envolvidos.

Por trás da Copa e das Olímpiadas, um grande esquema de corrupção

A apuração deste escândalo precisa ir até as últimas conseqüências e não pode cair no esquecimento, como tantos outros. Está relacionado com o futuro, com a Copa do Mundo e das Olimpíadas que se realizarão em nosso país. Não é preciso muito para ver os sinais do grande esquema de favorecimento que está sendo montado.

Neste momento, na FIFA vem a tona um escândalo que envolve o vice-presidente e o dirigente da Confederação Africana de Futebol, envolvendo propina para influenciar no resultado da eleição do novo presidente da FIFA. O vice, após ser denunciado, renunciou ao cargo.

Para não ficarmos geograficamente muito distantes dos escândalos na FIFA, o ex-presidente da FIFA é o brasileiro João Havelange e o presidente da CBF é Ricardo Teixeira, ex-genro de Havelange e homem forte na preparação da copa. Ambos estão sendo acusados e processados por corrupção.

Daí começa a ficar mais claro o porquê do pedido da FIFA de pôr abaixo estádios recentemente reformados, como o do Maracanã, que passou por uma reforma estrutural para o Pan-Americano de 2007, que custou milhões e fez a alegria dos empreiteiros. No restante do país não será diferente. O Mineirão foi abaixo e será reconstruído por exigência da FIFA e outros estádios e obras serão erguidas com o mesmo propósito, o de favorecer as empreiteiras.

A maior prova disso é que o governo Dilma está aprovando uma lei no Congresso Nacional que cria um “sigilo” sobre as licitações e gastos com as obras da Copa. Não só os governos e comitês da Copa ficam livres para escolher empresas sem licitação, como sequer a divulgação transparente dos gastos está garantida. Na prática, abrem-se as portas para a corrupção.

Não bastasse, sabemos que a população não conseguirá assistir os jogos, diante dos custos dos ingressos para as partidas.

Rio de Janeiro da beleza e do caos

Estamos entrando no segundo mandato. A política de pacificação, com as UPPS, além de violar os direitos humanos, não resolve os problemas básicos das milhares de pessoas que vivem nas comunidades. Segue esgoto a céu aberto, a iluminação precária, falta água encanada. Mesmo assim, o governador e o prefeito têm a cara de pau de apresentar estas comunidades como novos bairros do Rio de Janeiro. A atitude demagógica gerou a revolta nos moradores destas comunidades. Vai ficando claro que o objetivo é construir uma imagem para os turistas que visitarão nossa cidade, favorecendo os donos de hotéis e os especuladores imobiliários.

A violência foi transferida. Em todos os locais onde o governo implantou UPPs, foi negociado com os traficantes a saída e o deslocamento de drogas e armas. Isso tem atingido diretamente outras regiões do estado e da própria cidade do Rio de Janeiro, que passaram a concentrar o tráfico de drogas. A violência aumentou no interior do estado, na baixada fluminense, em São Gonçalo e na Zona Oeste do Rio.

No transporte não é diferente. As obras do Metrô estão sendo direcionadas para regiões que não concentram a maioria dos trabalhadores, os que mais necessitam. O metrô precisa chegar até a Barra, mas qual é a prioridade neste momento? Por que a Transcarioca, rodovia que está sendo construída ligando a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional, na Ilha do Governador, não terá saída para nenhum bairro da Zona Norte? Qual a prioridade? Por que, mesmo com os trens e o metrô superlotados e com avarias, pagamos as passagens mais caras do país? Por que os ônibus quase param de circular depois das 23h? Enquanto isso, o governador provavelmente estará andando de jatinho ou helicóptero, fornecido pelos Eike Batistas da vida, passeando em paraísos bucólicos.

Cabral, ditador do Rio

Diante deste quadro de arrocho salarial e corrupção, os funcionários públicos estaduais estão lutando por reajuste dos salários, vale-transporte, etc. A postura do governador Sergio Cabral tem sido de intransigência. Além de não negociar com os profissionais em greve, reprime duramente quem protesta, corta o ponto e manda prender.

Foi assim em 2009 com os professores, que receberam tiros e bombas de efeito moral quando se manifestavam em frente a Alerj (Assembleia Legislativa). Foi também na visita de Obama ao Rio de Janeiro, quando prendeu 13 ativistas após o protesto em frente ao consulado norte-americano. Estudantes, professores, advogados foram transferidos para os presídios do Rio e ficaram presos 72 horas nos presídios Bangu 8 e Ary Franco.

Em Niterói, no Morro do Bumba, após meses de espera e nenhuma casa construída, os moradores fizeram um protesto pacífico e foram duramente reprimidos. A PM jogou spray de pimenta em crianças de 4 anos.

Agora, mandou prender 439 bombeiros que reivindicavam melhores salários. Após meses de espera por uma negociação com o governador, resolveram de forma pacífica ocupar o quartel central que, para os bombeiros, é a sua segunda casa. De nada adiantam desculpas aos bombeiros, que mais se parecem com uma tentativa de diminuir o prejuízo político que o governador teve com o episódio.

Temos que dar um basta neste esquema de corrupção e impedir que este governador siga criminalizando os trabalhadores e os movimentos sociais.

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