10 mitos sobre o marxismo

Marx

Visando destruir alguns mitos básicos acerca do socialismo, de forma mais ou menos rápida e sucinta, vamos quebrar aqui alguns mitos:

1 – Comunista não pode comprar X coisa, pois X coisa é capitalista; o comunista deve se abster de consumir tudo do capitalismo.

R: Existem relações de produção capitalistas, tal como existe o modo de produção capitalista, mas nunca o Capitalismo como objeto. É impossível você pegar um iPhone e dizer que um modo de produção socialista não poderia fornecer ele. O Capitalismo trouxe muitos avanços sim, Marx não nega isso, pelo contrário, ressalta que o Capitalismo foi de vital importância, e que este iria desenvolver as forças produtivas para o próximo estágio (socialismo), que por sua vez iria desenvolver mais forças produtivas.

Tanto é que os países socialistas tiveram um avanço tecnológico enorme, mais do que muitos capitalistas. Isso acontecia pq todo mundo tinha como estudar, e contribuir, assim como não haviam empecilhos: propriedade intelectual não existia, por exemplo.

Muito do que temos hoje vem de outras sociedades com outros modos de produção, e nós usamos mesmo assim. Isso não significa nada. É a mesma lógica de eu dizer que não posso criticar o feudalismo pq uso óculos, e o feudalismo criou ele. É a mesma lógica de eu dizer que, na época escravista, eu não poderia criticar o escravismo, pq eu como a comida dada pelo sistema, e uso roupas feitas por ele também. Marx analisava essa constante evolução material dos modos de produção e na seara tecnológica através do ‘materialismo histórico’.

E por fim, se quem acusa for liberal, ele entra em contradição. A tal da tecnologia criada no Capitalismo, foi em grande parte, desenvolvida pelo Estado ou por corporativismo, não da iniciativa privada ou livre-concorrência. O IPhone usa muita tecnologia que até então era exclusiva do exército, por exemplo, tal como a própria iniciativa privada, por vezes, vai tentar estagnar o processo tecnológico ou os avanços para manter o lucro. Eu tenho certeza que se quisessem de verdade, já teriam achado a cura pra muita coisa, mas simplesmente não querem agora. É mais favorável que existam pessoas doentes para comprar remédios, que por sua vez, irão intoxicar mais as pessoas. A recente compra da Monsanto pela Bayer, é um grande exemplo disso.

A critica de Marx não é pautada numa moralidade ou ética, para designar uma forma de comportamento como se o comunista tivesse que viver como um São Francisco de Assis ou um eremita da floresta; mesmo pelo motivo de que não é tarefa do socialista ter que se ‘adequar’ a vivência do capitalismo, como se fosse uma questão primordial de ética ou um dogma religioso. O papel é construir consciência de classe.

Com certeza é reprovável, do ponto de vista da postura, uma pessoa excessivamente consumista; mas não é disso que o marxismo trata, não é esse o foco do estudo dele, isto é, o comportamento individual que você deve ter ou proceder.

2 – No Socialismo, todo mundo ganha o mesmo salário

R: Acredito que qualquer um aqui já tenha se deparado com uma mensagem em alguma rede social acerca de um experimento socialista em sala de aula, aonde o professor dá a mesma nota para todos através de uma média tirada da sala toda, e os preguiçosos iriam encostar nos inteligentes e estudiosos, que iriam desanimar, e no fim, todo mundo zera. Bem, acontece que é um mito isso de que ‘no socialismo todo mundo ganha a mesma nota (salário)’.

Como Marx já dizia, não há uma igualdade plena e irreal no socialismo/Comunismo. O que há é uma comunidade onde todos ganham integralmente pelo fruto de seu trabalho, sem exploradores em cima; uma associação na qual o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos.

Lenin em “O Estado e a Revolução”, diz o seguinte:

“Os economistas vulgares, e entre eles os professores burgueses, inclusive o “nosso” Tugan, acusam continuamente os socialistas de não levarem em conta a desigualdade dos homens e “sonharem” com a supressão dessa desigualdade. Essas censuras, como o vemos, não fazem senão denunciar a extrema ignorância dos senhores ideólogos burgueses.
Não só Marx leva em conta, muito precisamente, essa desigualdade inevitável, como ainda tem em conta o fato de que a socialização dos meios de produção – o “socialismo”, no sentido tradicional da palavra – não suprime, por si só, os vícios de repartição e de desigualdade do “direito burguês”, que continua a predominar enquanto os produtos forem repartidos “conforme o trabalho”. Mas isto, continua Marx, são dificuldades inevitáveis na primeira fase da sociedade comunista, tal como saiu, depois de um longo e doloroso parto, da sociedade capitalista. O direito não pode nunca estar em nível mais elevado do que o estado econômico e do que o grau de divisão social correspondente.”

Stalin, numa entrevista em 1932, diz o seguinte quando confrontado com a questão do “igualitarismo” salarial:

“O tipo de socialismo no qual todos receberiam o mesmo pagamento, a mesma quantidade de carne e a mesma quantidade de pão, vestiriam as mesmas roupas e receberiam os mesmos artigos nas mesmas quantidades – tal socialismo é desconhecido para o marxismo. Tudo que o marxismo diz é que até que as classes tenham sido finalmente abolidas e até que o trabalho tenha sido transformado de um meio de subsistência na necessidade básica do homem, no trabalho voluntário pela sociedade, as pessoas serão pagas por seu esforço de acordo com o trabalho executado. “De cada um de acordo com sua habilidade, para cada um de acordo com seu trabalho.” Esta é a fórmula marxista do socialismo, a fórmula para o primeiro estágio do comunismo, o primeiro estágio da sociedade comunista.

Apenas no mais alto estágio do comunismo, apenas em sua fase mais desenvolvida, é que cada um, trabalhando de acordo com a sua habilidade, será recompensado por seu trabalho de acordo com suas necessidades. “De cada um de acordo com sua habilidade, para cada um de acordo com suas necessidades.””

Temos então que a ideia de igualdade salarial no socialismo não faz o menor sentido, é uma falácia

3- O Socialismo / Comunismo querem abolir a propriedade privada de tudo, e socializar sua casa, família e etc.

R: O que o socialismo ambiciona, é o fim da propriedade privada dos meios de produção: terras, fazendas, indústrias, fábricas e etc.

No Estado-burguês, os mais ricos detém o monopólio desses meios, e os que não tem condições, devem vender sua mão de obra para esses detentores privados. A função do Estado-burguês, como mostrava Engels, é garantir (coercitivamente) a propriedade privada desses meios de produção, que são o pilar da sociedade capitalista; o Estado-burguês, como revelará Marx, é somente a secretaria dos interesses diversos dessa burguesia corporativista. A coletivização dos meios de produção é impossível senão pela derrubada violenta do status quo e do Estado, por meio de uma revolução socialista.

Há uma distinção, para o marxismo, entre objetos pessoais e para a propriedade privada; é importante não confundi-los. Propriedade implica em ter um título. Quando marxistas falam em propriedade coletiva de terras ou meios de produção, estamos no campo das propriedades; quando falam em coisas como cueca, roupas, escova de dentes e etc estamos no campo dos objetos pessoais. O ideal marxista visa coletivizar o primeiro.

Em outras palavras, o comunismo não está interessado em tomar e coletivizar sua casa e seu celular, ok?

Para completar, vamos ver o próprio Marx dissertando sobre isso no Manifesto:

‎”A Revolução Francesa, por exemplo, aboliu a propriedade feudal em proveito da propriedade burguesa. O que caracteriza o comunismo não é a abolição da propriedade geral, mas a abolição da propriedade burguesa. Ora, a propriedade privada atual, a propriedade burguesa, é a última e mais perfeita expressão do modo de produção e de apropriação baseado nos antagonismos de classes, na exploração de uns pelos outros. Neste sentido, os comunistas podem resumir sua teoria nesta fórmula única: a abolição da propriedade privada. Censuram-nos, a nós comunistas, o querer abolir a propriedade pessoalmente adquirida, fruto do trabalho do indivíduo, propriedade que se declara ser base de toda liberdade, de toda atividade, de toda independência individual. A propriedade pessoal, fruto do trabalho e do mérito! Pretende-se falar da propriedade do pequeno burguês, do pequeno camponês, forma de propriedade anterior à propriedade burguesa? Não precisamos aboli-la, porque o progresso da indústria já a aboliu e continua a aboli-la diariamente.[…]Horrorizai-vos porque queremos abolir a propriedade privada. Mas em vossa sociedade a propriedade privada está abolida para nove décimos de seus membros. E é precisamente porque não existe para estes nove décimos que ela existe para vós. Acusai-nos, portanto, de querer abolir uma forma de propriedade que só pode existir com a condição de privar a imensa maioria da sociedade de toda propriedade.Em resumo, acusai-nos de querer abolir vossa propriedade. De fato, é isso que queremos. Desde o momento em que o trabalho não mais pode ser convertido em capital, em dinheiro, em renda da terra, numa palavra, em poder social capaz de ser monopolizado, isto é, desde o momento em que a propriedade individual não possa mais converter-se em propriedade burguesa declarais que a individualidade está suprimida. Confessais, pois, que quando falais do indivíduo, quereis referir-vos unicamente ao burguês, ao proprietário burguês. E este indivíduo, sem dúvida, deve ser suprimido. O comunismo não retira a ninguém o poder de apropriar-se de sua parte dos produtos sociais, apenas suprime o poder de escravizar o trabalho de outrem por meio dessa apropriação.” – Karl Marx, Part 02, 1848.

4- O Comunismo quer dividir as mulheres de todo mundo

R: Mito antigo. Em nenhuma parte, nem Marx nem Engels propuseram socializar sexualmente a mulher. No Manifesto Comunista, Marx e Engels propõem uma sociedade socialista onde a produção seja planificada sob controle operário, onde as colunas que movem a economia estejam em poder da maioria proletária, onde a necessidade de todos seja satisfeita, onde se libere a mulher do papel de escrava a que o capitalismo a condena. Em uma sociedade assim, os casais estariam juntos por um vínculo real, livres de interesses materiais.

Em lugar nenhum encontraremos na teoria marxista tal deformação como essa da “socialização da mulher”, que significa condená-la à escravidão sexual, conforme entendida pelos censores do marxismo.

Marx fala sobre isso no Manifesto:

“Mas vocês, comunistas, querem introduzir a comunidade das mulheres, grita em coro, aos nossos ouvidos, a burguesia inteira! O burguês enxerga em sua mulher um mero instrumento de produção. Ele ouve dizer que os instrumentos de produção devem ser explorados comunitariamente, e é natural que não consiga pensar outra coisa senão que o destino do sistema de comunidade irá atingir igualmente as mulheres. Ele não imagina que se trata precisamente de suprimir a posição das mulheres enquanto meros instrumentos de produção.

De resto, nada mais ridículo do que o espanto altamente moralista dos nossos burgueses diante da comunidade oficial de mulheres pretensamente proposta pelos comunistas. Os comunistas não precisam introduzir a comunidade de mulheres, ela existiu quase sempre.
Os nossos burgueses, não satisfeitos em ter à sua disposição as mulheres e as filhas dos seus proletários, para não falar da prostituição oficial, encontram supremo divertimento em seduzir mutuamente suas esposas.

O casamento burguês é na realidade a comunidade das esposas. Poder-se-ia, no máximo, censurar aos comunistas que, em lugar de uma comunidade de mulheres hipocritamente ocultada, eles queiram introduzir uma oficial, franca. De resto, entende-se de imediato que, com a supressão das atuais relações de produção, também a comunidade de mulheres delas derivada, isto é, a prostituição oficial e não-oficial desaparece”

5- Lenin: o ‘Decálogo de Lenin’, o ‘Idiota Útil’ e o ‘Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz’

R: Na internet, tem-se pipocado por aí várias frases e coisas atribuídas ao revolucionário Lenin. Vamos analisar três delas:

5.1 – O Decálogo de Lenin

DECÁLOGO DE LENIN

1.Corrompa a juventude e dê-lhe liberdade sexual;

2.Infiltre e depois controle todos os veículos de comunicação de massa;

3.Divida a população em grupos antagônicos, incitando-os a discussões sobre assuntos sociais;

4.Fale sempre sobre Democracia e em Estado de Direito, mas, tão logo haja oportunidade, assuma o Poder sem nenhum escrúpulo;

5.Colabore para o esbanjamento do dinheiro público;

6.Coloque em descrédito a imagem do País, especialmente no exterior e provoque o pânico e o desassossego na população por meio da inflação;

7.Promova greves, mesmo ilegais, nas indústrias vitais do País;

8.Promova distúrbios e contribua para que as autoridades constituídas não as coíbam;

9.Contribua para a derrocada dos valores morais, da honestidade e da crença nas promessas dos governantes. Nossos parlamentares infiltrados nos partidos democráticos devem acusar os não-comunistas, obrigando-os, sem pena de expô-los ao ridículo, a votar somente no que for de interesse da causa socialista;

10.Procure catalogar todos aqueles que possuam armas de fogo, para que elas sejam confiscadas no momento oportuno, tornando impossível qualquer resistência à causa…

O “Decálogo de Lênin”, amplamente repetido em sites nacionais, nada mais é do que uma versão abrasileirada de um documento apócrifo, supostamente soviético, difundido nos Estados Unidos há décadas, intitulado “Rules for Revolution” (Regras para a Revolução), transcrito a seguir:

  1. Corrupt the young. Get them away from religion. Get them interested in sex. Make them superficial, destroy their ruggedness.
  2. Get control of all means of publicity and thereby:
  3. Get people’s minds off their government from religion [sic]. Get them interested in sex, books and plays and other trivialities.
  4. Divide the people into hostile groups by constantly harping on controversial matters of no importance.
  5. Destroy the people’s faith in their natural leaders by holding these latter up to ridicule, obloquy, and contempt.

4.Always preach true democracy, but seize power as fast and as ruthlessly as possible.

  1. By encouraging government extravagance, destroy its credit, produce fear of inflation with rising prices and general discontent.
  2. Foment unnecessary strikes in vital industries, encourage civil disorders and foster a lenient and soft attitude on the part of government toward such disorders.
  3. By specious arguments cause the breakdown of the old moral virtues: honesty, sobriety, continence, faith in the pledged word, ruggedness.
  4. Cause the registration of all firearms on some pretext, with a view to confiscating them and leaving the population helpless.

TRADUÇÃO LIVRE:

  1. Corrompa os jovens, afaste-os da religião. Faça com que se interessem por sexo. Torne-os superficiais, destrua sua robustez.
  2. Controle todos os meios de publicidade e assim:
  3. Mantenha as mentes das pessoas desligadas do governo e da religião. Torne-os interessados em sexo, livros, peças e outras trivialidades.
  4. Divida as pessoas em grupos hostis ao, constantemente, insistir em assuntos controversos sem importância.
  5. Destrua a fé das pessoas nos seus líderes naturais ao ridicularizá-los de desprezá-los.
  6. Sempre pregue uma democracia verdadeira, mas tome o poder o mais rápido e impiedosamente possível.
  7. Ao encorajar a extravagância governamental, destrua sua reputação, produza pavor de inflação com aumento de preços e descontentamento geral.
  8. Fomente greves desnecessárias em indústrias vitais, incentive a desordem civil e alimente uma atitude leve do governo contra essa desordem.
  9. Através de argumentos capciosos, cause a ruptura das antigas virtudes morais: honestidade, sobriedade, continência, fé na palavra empenhada, robustez.
  10. Faça, sob algum pretexto, com que todas as armas sejam registradas, com o objetivo de confiscá-las e deixar a população indefesa.

Facilmente, pode-se perceber que o “Decálogo de Lênin” constitui mera repetição adaptada das “Regras para a Revolução” (que jamais foram atribuídas ao revolucionário russo). Deste modo, surge uma pergunta óbvia: este último documento é verdadeiro? A resposta é negativa, segundo lecionam Paul F. Boller Jr. (falecido em 2014, era historiador, Ph.D. por Yale e Professor Emérito da Texas Christian University) e John George Jr. (Ph.D., professor aposentado de Ciências Políticas na Central State University), nas páginas 114-116 do livro “They never said it: a Book of Fake Quotes, Misquotes, and Misleading Attributions (“Eles nunca disseram: um livro de citações falsas, errôneas e enganosas”), publicado pela Universidade de Oxford (tradução livre):

Uma virtual abundância de citações malucas para serem utilizadas pela direita irritadiça assim que necessário, as chamadas ‘Regras para a Revolução’ supostamente se originaram no ‘secreto quartel general soviético’ em Düsseldorf, Alemanha, logo após a segunda guerra mundial, e foram parar às mãos de dois oficiais da inteligência aliada, entre eles, o Capitão Thomas Baber, que disse ter infiltrado o local. Entretanto, por alguma razão, o documento não apareceu até 1946, quando foi apresentado na edição de fevereiro de uma publicação britânica chamada ‘New World News’. Por conseguinte, o ‘American Opinion’ da ‘John Birch Society’, deu importância ao documento, como também fizeram os porta-vozes da extrema direita, Dan Smoot, Frank Capell, e Billy James Hargis. Nos anos 1970, a NRA (Associação Nacional de Rifles) entrou em cena. No ‘The American Rifleman’, órgão da NRA, em janeiro de 1973, o editor Ashley Halsey relatou que o Capitão Barber, um dos agentes da inteligência que supostamente capturara o documento ‘Regras para a Revolução’ em Düsseldorf, deixou uma cópia manuscrita de próprio punho, antes da sua morte em 1962.

Mas as ‘Regras’ são obviamente falsas; não aparentam ser nem um pouco de 1919. Conservadores respeitáveis como William F. Buckley,Jr., M. Stanton Evans, e James J. Kilpatrick, classificaram o documento como uma falsificação. Ele foi denominado como uma farsa pelo boletim anticomunista, o ‘Combat’. Uma cuidadosa pesquisa nos arquivos do FBI, CIA, Subcomitê de Segurança Interna do Senado, e nas Bibliotecas do Congresso, falhou em apresentar qualquer vestígio ‘das regras’. J. Edgar Hoover, falecido diretor do FBI, declarou que se pode ‘especular logicamente que o documento é espúrio’. Ainda assim, continuou a ser citado como autoridade nos anos 80.

Alias, nem precisava chegar a tanto. Basta parar para ver que nenhuma das medidas do suposto Decálogo foram implementadas na Era Lenin.

5.2. “O Idiota Útil”

R: De acordo com seus idealizadores (quem?), a expressão “idiota útil” se refere a uma pessoa que ingenuamente pensa ser aliada dos comunistas porém seria supostamente desprezada e cinicamente usada por estes comunistas. Em sentido estrito, refere-se a jornalistas ocidentais, viajantes e intelectuais que deram a sua bênção – muitas vezes com fervor – ao Comunismo assim convencer o público a apoiar.

A autoria é atribuída a Lenin, e é constantemente reproduzida em sites direitistas e reacionários. Ela é representada assim:

“Usaremos o “idiota útil” na linha de frente. Incitaremos o ódio de classes. Destruiremos sua base moral, a família e a espiritualidade. Comerão as migalhas que caírem de nossas mesas. O Estado será Deus“.

A confusão resultante fez com que em 1987, Grant Harris, membro sênior da Biblioteca do Congresso fosse consultado. Após extensa pesquisa declarou que a equipe a sua disposição foi “incapaz de identificar a utilização desta expressão dentre as publicações de Lênin”

http://www.nytimes.com/1987/04/12/magazine/on-language.html…

Boller, Jr., Paul F.; George, John (1989). They Never Said It: A Book of Fake Quotes, Misquotes, and Misleading Attributions. New York: Oxford University Press. ISBN 0-19-505541-1

5.3: “Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz”

R: Em vários sites brasileiros (principalmente, os críticos da esquerda), encontra-se alguma versão da frase acima (também costuma ser relatada, por exemplo, como: “Acuse os adversários do que você faz, chame-os do que você é”). Por outro lado, nas páginas em inglês, há raras menções a afirmações similares ligadas a Lênin.

Nenhum autor brasileiro de matérias na internet, ainda quando questionado por seus leitores, aponta uma fonte primária comprovadamente autêntica da suposta citação. Pesquisei e não encontrei nada. A explicação mais provável é a de que se trata apenas de outra farsa online. Inclusive, acredito que tenha sido formulada originalmente da seguinte maneira: um amálgama entre outra frase falsa de Lênin e um trecho de um texto apócrifo na internet. Explico a seguir.

“Destroying all opposition by invective slander, smear, and blackmail is one of the techniques of Communism” (“Destruir toda a oposição através de calúnia, difamação e chantagem é umas das técnicas do Comunismo”). Nos Estados Unidos, esta afirmação é atribuída a Lênin em mais de 8960 sites. Entretanto os supramencionados Paul F. Boller Jr. e John George Jr, explicam, na página 70 do seu livro, que a citação, originalmente, apareceu em uma das publicações do evangelista Billy James Hargis nos anos 60, e que especialistas soviéticos na biblioteca do congresso americano não encontraram nenhuma informação nesse sentido. Ademais, Julian Williams, gerente de pesquisa de Hargis naquela década, admitiu que a citação “parece ser uma daquelas ocasiões nas quais alguém inventou uma frase de Lênin para se encaixar nas táticas do comunismo”.

Em 728 páginas na internet, encontramos um texto apócrifo (publicado em sites ultradireitistas) chamado The Tactics of Disinformers (As táticas dos “desinformantes”), que contém o seguinte trecho: “Always accuse your adversary of whatever is true about yourself…“ (“Sempre acuse seus adversários do que é verdadeiro sobre você mesmo…”). Ora, pode-se perceber facilmente sua semelhança com a suposta citação de Lênin.

Há, portanto, três informações importantes para alcançar uma conclusão sobre o tema:

  1. A “citação de Lênin” aparenta ser difundida apenas em sites brasileiros críticos da esquerda;
  2. Há uma comprovada frase falsa de Lênin que menciona calúnia e difamação como táticas do comunismo;
  3. Em sites ultradireitistas americanos, encontramos o seguinte trecho num texto apócrifo: “sempre acuse seus adversários do que é verdadeiro sobre você mesmo”.

Assim, em razão desses três pontos, considero plausível acreditar que a falsa citação teve sua origem quando algum brasileiro, por conhecer a pretensa frase de Lênin sobre calúnia e difamação, criou uma versão em português do trecho do texto americano e a atribuiu ao revolucionário russo.

6- O Comunismo quer suprimir cada mínima diferença e fazer todos totalmente iguais

R: A intenção do socialismo e comunismo não é fazer todos iguais em cada detalhe, mas dar a igualdade social aliada a dignidade humana, e onde as diferenças de todos possam ser maximizadas para o uso do bem comum; de cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades.

No Estado e a Revolução Lenin diz isso:

“Com efeito, cada um recebe, por uma parte igual de trabalho social, uma parte igual da produção social (dedução feita da quantidade destinada ao fundo social). Ora, os indivíduos não são iguais; é um mais forte, outro mais fraco; um é casado, outro celibatário; este tem mais filhos, aquele tem menos, etc. Com igualdade de trabalho, conclui Marx, e, por conseqüência, com igualdade de participação no fundo social de consumo, um recebe, efetivamente, mais do que o outro, um é mais rico do que o outro, etc. Para evitar todas essas dificuldades o direito deveria ser, não igual, mas desigual. A primeira fase do comunismo ainda não pode, pois, realizar a justiça e a igualdade; hão de subsistir diferenças de riqueza e diferenças injustas; mas, o que não poderia subsistir é a exploração do homem pelo homem, pois que ninguém poderá mais dispor, a título de propriedade privada, dos meios de produção, das fábricas, das máquinas, da terra. Destruindo a fórmula confusa e pequeno-burguesa de Lassalle, sobre a “desigualdade” e a “justiça” em geral, Marx indica as fases por que deve passar a sociedade comunista, obrigada, no início, a destruir apenas o “injusto” açambarcamento privado dos meios de produção, mas incapaz de destruir, ao mesmo tempo, a injusta repartição dos objetos de consumo, conforme o trabalho e não conforme as necessidades. Os economistas vulgares, e entre eles os professores burgueses, inclusive o “nosso” Tugan, acusam continuamente os socialistas de não levarem em conta a desigualdade dos homens e “sonharem” com a supressão dessa desigualdade. Essas censuras, como o vemos, não fazem senão denunciar a extrema ignorância dos senhores ideólogos burgueses”.

Como já dizia Rosa Luxemburgo:

“Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres”

7- “É socialista?! Tem que doar tudo o que você tem viu!”

R: É engraçado, pois Marx nunca disse isso. Quem disse foi Jesus, em Mateus 19:21:

“Jesus disse a ele: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”.”

A maior parte dos críticos do marxismo são justamente conservadores cristãos, então é irônico alertar para esse fato.

De qualquer forma, como já dito anteriormente, não é esse o desígnio dos socialistas; e aliás, não ia adiantar nada. Rosa Luxemburgo explica isso em ‘O Socialismo e as Igrejas’:

“Suponhamos, por exemplo, que os ricos proprietários, influenciados pela doutrina cristã, oferecessem para distribuir para o povo todas as riquezas que possuíam em forma de dinheiro, cereais, frutas, vestuário e animais. Qual seria o resultado? A pobreza desapareceria por algumas semanas e , durante este tempo, a população poderia alimentar-se e vestir-se. Mas os produtos acabados são rapidamente consumidos. Após um pequeno lapso de tempo, as pessoas, tendo consumido as riquezas distribuídas, teriam uma vez mais as mãos vazias. Os proprietários da terra e dos instrumentos de produção podiam produzir mais, graças ao poder laboral dos escravos, e assim nada se mudaria. Bem. Aqui está porque os sociais democratas consideram estas coisas de um modo diferente dos comunistas cristãos. Eles dizem: “Não queremos que os ricos repartam com os pobres: não queremos nem caridade nem esmolas; ambas as coisas são incapazes de impedir o retorno da desigualdade entre os homens. Não é de modo algum uma partilha entre ricos e pobres que nós desejamos, mas a completa supressão de ricos e pobres”. Isto é possível desde que as fontes de toda a riqueza, a terra, em comum com todos os outros meios de produção e instrumentos de trabalho, se tornem propriedade coletiva do povo trabalhador que irá produzir para si próprio, de acordo com as necessidades de cada um. Os primeiros cristãos acreditaram que podiam remediar a pobreza do proletariado por meio das riquezas oferecidas pelos possuidores. Isso seria deitar água numa peneira!”

8 – Marx pediu por genocídio racial por meio de um ‘holocausto revolucionário’

R: Colocam “na boca” do teórico comunista uma frase que ele nunca falou. Segundo a forjada citação, ele teria determinado que as lutas dos comunistas promovessem um “holocausto revolucionário” e, com ele, iniciassem o extermínio de determinadas classes e raças. Induz-se aqueles que leem tal ditado a crer que ele foi um inspirador dos nazistas.

“”As classes e as raças fracas demais para conduzir as novas condições da vida devem deixar de existir. Elas devem perecer no holocausto revolucionário.”

Na verdade, a frase em questão é uma adulteração maliciosa de um trecho de um texto escrito por Marx em março de 1853 e publicado no New York Daily Tribune e no People’s Paper algumas semanas depois – ele pode ser acessado no site Marxists.org. O artigo, intitulado Forced Emigration(Emigração forçada), descreve como o avanço do capitalismo industrial nas Ilhas Britânicas forçou a migração de milhares de ingleses, escoceses e irlandeses para outras partes do mundo em meados do século 19. Nesse texto, Marx fez essa declaração:

Society is undergoing a silent revolution, which must be submitted to, and which takes no more notice of the human existences it breaks down than an earthquake regards the houses it subverts. The classes and the races, too weak to master the new conditions of life, must give way. But can there be anything more puerile, more short-sighted, than the views of those Economists who believe in all earnest that this woeful transitory state means nothing but adapting society to the acquisitive propensities of capitalists, both landlords and money-lords?

Essa é a sua tradução:

A sociedade está passando por uma revolução silenciosa, à qual é obrigada a se submeter e que leva em conta as existências humanas que ela fragmenta tanto quanto um terremoto se importa com as casas que subverte. As classes e as raças, fracas demais para dominar as novas condições de vida, são obrigadas a ceder. Mas pode haver alguma coisa mais pueril, mais visão estreita, do que as visões daqueles economistas que acreditam com toda sinceridade que esse lastimável estado transitório não significa nada além de adaptar a sociedade às propensões aquisitivas dos capitalistas, tanto senhores de terra como senhores de dinheiro?

A “revolução silenciosa” que ele menciona não era comunista ou socialista, mas sim a altamente capitalista Revolução Industrial, que estava promovendo na Europa e nos Estados Unidos uma configuração social, econômica e tecnológica muito diferente da que existia até o século 18. Era “silenciosa” porque, ao contrário das revoluções burguesas do século 18, não consistia em promover guerras contra o poder vigente. Nenhuma revolução socialista ou comunista vitoriosa havia acontecido até então, apesar dos levantes de 1848.

E o trecho adulterado e transformado na falsa frase “protonazista” diz: “As classes e as raças, fracas demais para dominar as novas condições de vida, são obrigadas a ceder [must give way].” As “classes e raças” citadas não estavam sendo exterminadas, nem sendo vitimadas por nenhum “holocausto revolucionário”. O que acontecia é que elas estavam sendo tolhidas de seu modo original de vida e forçadas ou a se adaptar à nova tradição econômica, social e cultural, geralmente de maneira sofrível, ou a emigrar para outros países, nos casos em que a vida no seu país de origem havia se tornado insuportável.

Ou seja, a suposta menção de Marx a “raças fracas” e “holocausto revolucionário” é falsa. É uma distorção, feita com fins escusos de manipulação política, de um trecho de um artigo dele sobre o que o capitalismo estava fazendo com pessoas de diversas classes e culturas nos países britânicos de sua época.

9 – Marx era um vagabundo sustentado por Engels.

Em primeiro lugar, isso é ad hominem, ou seja, não deveria sequer ser levado a sério, pois não ataca as ideias do autor.

É engraçado lembrar que essas mesmas pessoas que dizem que ‘Marx nunca trabalhou, então não podia falar de trabalho’, são hipócritas, pois são as mesmas que criticam mulheres do movimento feminista que dizem que ‘se você não é mulher, não pode falar de estupro ou aborto’.

Também é falso afirmar que Marx jamais tenha trabalhado. Entre 1842 e 1843, Marx trabalhou no Gazeta Renana, jornal vinculado a representantes da burguesia liberal renana contrários ao absolutismo prussiano. De abril de 1842 a outubro do mesmo ano, ocupou o cargo de articulista; posteriormente, até o fechamento arbitrário do jornal em 1/04/1843 por censura prussiana, foi promovido a redator-chefe. Em fevereiro de 1844, morando então em Paris, publicou o número duplo dos Anais Franco-alemães, editado em colaboração com Arnold Ruge, figura famigerada da esquerda hegeliana. Em 01/06/1848, Marx funda a Nova Gazeta Renana, periódico do qual foi diretor e Engels, um dos redatores. Ali trabalharam até o encerramento do periódico em 19/05/1849.

É de conhecimento geral que Marx foi auxiliado financeiramente por Engels durante um tempo, mas disso podemos dizer que: (1) se havia uma amizade e boa vontade de Engels de ajudá-lo, então não existe problema algum nisso; (2) Mas acontece que Marx não viveu apenas da ajuda de Engels. Marx recebeu uma herança de sua mãe com a qual pôde custear suas despesas por um tempo; ele também trabalhou como jornalista e autor independente para alguns veículos de imprensa, como o Rhineland News, de Colônia, onde se tornou editor e também onde teve contato pela primeira vez com questões sociais referentes às condições de vida e trabalho do operariado, e a partir de então aderiu às ideias comunistas.

Contudo, sofreu com a censura à imprensa na Alemanha e com perseguições políticas em outros lugares, até finalmente se exilar em Londres em 1849, onde permaneceu até o fim da vida. Essa relação com Engels também nunca foi apenas de mão única: em 1848, Marx também enviou dinheiro para ajudar o amigo e, mesmo com poucos recursos, ajudava até mesmo outros amigos que passavam necessidade.

Mas o exílio em Londres trouxe grandes dificuldades para ele e outros ativistas alemães que viviam na capital britânica. O elevado custo de vida e o desemprego levou muitos a dormirem nas ruas. Antes do exílio, Marx era editor chefe de um jornal, onde ganhava bem, mas os primeiros seis anos em Londres foram marcados por agudas dificuldades financeiras e crises familiares. A situação melhorou quando Engels mudou para Manchester para cuidar dos negócios do pai e iniciou os envios de dinheiro para Marx.

10 – Marx deturpou os documentos que usou para escrever “O Capital”.

Essa tese é desenvolvida por Paul Johnson no livro Os Intelectuais. Johnson é um historiador britânico ultraconservador e essa obra, publicada originalmente em 1988, foi escrita com um tom estritamente pessoal. O capítulo dedicado a Marx está eivado de ataques pessoais e afirmações descontextualizadas de sua obra e de sua vida. Obviamente o fato de Johnson ser um conservador não é um problema em si, mas sua escolha política interferiu claramente em sua obra, que falha por falta de rigor metodológico e por não haver o distanciamento necessário de seu objeto de abordagem.

Johnson afirma que Marx era seletivo e falsificava suas fontes de informação, mas em nenhum momento ele especifica quais foram essas falsificações, como e quando foram feitas. Ele se reporta aos Livros Azuis do British Museum de Londres, analisados por Marx. Mas é preciso ter em mente que é a partir do desenvolvimento da teoria do valor-trabalho de Adam Smith, David Ricard e Stuart Mill que Marx elabora seus conceitos básicos sobre os tipos de capital. Os Livros Azuis eram “relatórios das comissões parlamentares de inquérito britânicas” e foi neles que Marx encontrou descrições sobre a miséria dos trabalhadores, como o caso da lavadeira Mary Anne Walkley, de Londres, “que, esfalfando-se na limpeza dos vestidos das madames que se preparavam para o baile da Princesa de Gales, em 1863, literalmente morreu de trabalhar”.

Sperber comenta que “Marx compreendia que a extensão da jornada de trabalho, mesmo não havendo oposição da classe trabalhadora, acabaria esbarrando em limitações físicas, a menos que todos os trabalhadores fossem se juntar a Mary Anne Walkley na cova”. Johnson não menciona nada disso em seu texto.

Foi após a derrota e violenta repressão aos trabalhadores na Comuna de Paris que os editores de um jornal suíço, ligado a Marx, propuseram uma reforma do capitalismo em vez de uma revolução violenta que conduzisse ao socialismo. Era um projeto reformista e de cooperação de classes com o objetivo de atrair a atenção e o apoio da sociedade para as necessidades dos trabalhadores. Eduard Bernstein e Ferdinand Lassalle foram os principais defensores dessa linha na década de 1870.

Marx encarou essa tese com estranheza, embora a considerasse inovadora. Na verdade, desde 1857 ele já não nutria esperança de uma revolução socialista de curto prazo e chegou até mesmo a pensar em caminhos alternativos para a derrubada do capitalismo na década de 1860.

Paul Johnson também afirma que Marx não podia compreender que “desde os primórdios da Revolução Industrial, de 1760 a 1790, os industriais mais eficientes, que tinham amplo acesso ao capital, geralmente propiciavam melhores condições para seus empregados” E ainda: “Desse modo, as condições melhoravam e, por conta disso, os trabalhadores paravam de se revoltar, contrariando o que Marx tinha previsto”. Essas afirmações não são verdadeiras. No período mencionado por Johnson, a Revolução Industrial apenas dava seus primeiros passos e seu impacto social apenas começou a ser verdadeiramente sentido a partir de 1780. Ele não menciona que a Revolução Industrial foi responsável pelos levantes de trabalhadores da indústria e de populações pobres nas cidades, culminando nas revoluções de 1848 em todo o continente e nos movimentos cartistas e luditas na Grã-Bretanha. E não eram apenas operários, mas também setores da pequena burguesia, como pequenos comerciantes.

Ele também não menciona o crescimento das cidades industriais sem planejamento, sem saneamento básico, com condições habitacionais precárias, que levaram ao reaparecimento de doenças contagiosas como a cólera e o tifo, além do aumento do alcoolismo, infanticídio, prostituição, suicídio, criminalidade e demência decorrentes do depauperamento social e jornadas de trabalho extenuantes.

Johnson também não menciona a rígida disciplina imposta nas fábricas por patrões e seus supervisores que incluíam multas abusivas e até castigos físicos, ou obrigatoriedade de os trabalhadores comprarem mercadorias em lojas de patrões. Johnson não menciona que o movimento operário nasceu das condições desumanas de vida nos distritos e cidades industriais como mecanismo de autodefesa e de protesto. As melhoras nas condições de vida dos trabalhadores não era algo palpável até pelo menos a década de 1850, quando havia forte tendência de deterioração da situação material do proletariado fabril. Foi isso que ocasionou em parte as revoluções sociais de 1848, a partir das quais Marx e Engels publicaram o Manifesto Comunista, um panfleto político que se tornou um clássico.Johnson também fala que “Marx não tinha qualquer interesse pela democracia”.

O pensamento de Marx não foi linear da juventude à maturidade. No início da década de 1840, por exemplo, apenas cinco anos antes de redigir o Manifesto Comunista, Marx considerava as ideias comunistas perigosas, capazes de derrotar a inteligência humana, impraticáveis e que deveriam ser combatidas com canhões. Ele também era defensor da liberdade de imprensa. Posteriormente, Marx realmente não via a democracia liberal com bons olhos, mas o Partido Social Democrata da Alemanha (SPD), foi fundado em 1875 por marxistas lassallianos (Ferdinand Lassalle era seguidor de Marx e um radical-democrata defensor do sufrágio universal). Se Marx preteriu a democracia em favor da ação revolucionária e da ditadura do proletariado, a socialdemocracia, por outro lado, nasceu como uma ramificação do marxismo.

Paul Johnson, definitivamente, não é uma boa referência para se compreender Marx.

Por Comunista Comum.

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