Feminismo “radical” na aparência, mas liberal na essência (por Amanda Mazza)

Sem títulosss

Uma mulher que se posiciona como feminista radical postou o seguinte: “Fico mais comovida quando mato uma formiguinha sem querer do que quando morre um macho”.

Radical, para além do uso que fazemos comumente, o de “algo extremado”; é também a palavra que adjetiva aquilo que se relaciona com a raiz, que vai às origens – não pretendo me ater ao preciosismo da definição dicionarizada e da etimologia, já que apontaria para uma visão bastante idealista da linguagem, ok? Bom, mas é esse sentido, o segundo que eu citei, que o movimento em questão reivindica. Isto é, o feminismo radical se diz radical por acreditar que vai às raízes, à origem dos problemas que acometem as mulheres.

Tomando por base a superficialidade do debate que tem sido produzido, ao menos aquele ao qual temos acesso por aqui, fica o questionamento: estão mesmo indo à raiz? Olha, não. Nunca se esteve tanto na superfície. Além do mecanicismo analítico representado em silogismos como (a) “homem é ruim”, (b) “morte pune ruindade”, logo (c) “homem deve morrer”, há tempos superado pelo método marxista, o post que eu cito ali em cima é carregado de ideologia liberal: a culpa por um problema estrutural é atribuída ao indivíduo, sem se observar as contradições sociais e se debruçar sobre a totalidade, para que o sistema que se alimenta e que faz a manutenção do problema possa se perpetuar.

Em bom português, o capitalismo se apropria do patriarcado, lucra com ele e ainda mantém esse cenário vendendo esses absurdos que lemos por aí em forma de ideias: tanto aqueles que pressupõem que a mulher é oprimida porque quer, já que pode se esforçar para se libertar, se empoderando individualmente; quanto as insensibilidades que vemos ali em cima, em que para libertar um gênero basta matar indivíduos do outro.

Obs. 1: Já pensou se fosse verdade? O Estado burguês seria o maior feminista da história, já que nunca vi máquina mais efetiva para “assassinar macho” (negro e pobre na periferia ou na fila do SUS, claro).

Obs. 2: Na aparência, “radical”. Na essência, liberal as fuck. Repararam?

Por Amanda Mazza.

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