Martha sem Pátria (por Gustavo Kafruni)

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Prestei vestibular nesse ano de 2018 para UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), como tantos outros gaúchos e brasileiros. Tivemos como tema da redação talvez um dos textos mais asquerosos que tive o desprazer de ler. Era um texto de Martha Medeiros intitulado “Pai da Pátria” em que, basicamente, a autora destilava seu vira-latismo, desfazendo do Brasil e se declarando orgulhosamente “uma ratazana descrente que não abandona o navio porque tem parentes no convés”.

Escrevi tão bem quanto me pareceu necessário à ocasião, mas me parece que uma resposta mais elaborada, escrita sem o nervosismo de quem está prestando um concurso vale a pena e a vem a calhar hoje, quando se iniciam as aulas na universidade.

A tese principal de “Pai da Pátria” é de que este país está condenado à humilhação por sermos “filhos de um pai fantasma”, por não termos constituído um mito fundador a essa altura de nossa história. Quem dera fosse assim, somos filhos de pais abusadores, do tipo que procura tolher as crianças de seu crescimento com medo de perder o controle sobre elas. De fato, enquanto as nações chamadas desenvolvidas criaram figuras épicas, que teriam encabeçado movimentos de independência ou unificação, só podemos creditar por nossa integridade territorial o genocida, criminoso de guerra Duque de Caxias, “pacificador” de revoltas liberais e republicanas.

O texto de Martha avança descrevendo o quão “irreversivelmente lascados” estamos e como “nunca fomos e jamais seremos a primeira opção nem pra nós mesmos”. Ora em 1964, foi temendo a óbvia reversibilidade da condição servil do Brasil que o governo do Estados Unidos atracou seu porta-aviões, Forrestal, na Baía da Guanabara e mobilizou dezenas de aeronaves.

Ademais, para os africanos escravizados, trazidos a força para essa terra, para os imigrantes – outrora fugindo da fome do Velho Mundo e hoje fugindo dos ataques imperialistas por toda a parte -, para aqueles que nada tem além de sua força de trabalho o Brasil foi, é e será a única opção!

Martha Medeiros finge preocupação, finge querer “um país íntegro, digno, consistente”. Mas o que será de seus “parentes no convés” quando quem está na “casa de máquinas” e precisa fazer esse país dar certo não aceitar mais tantos abusos?

Por Gustavo Kafruni

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