Enfrentar o medo e ousar lutar: 3º parte da entrevista com o Juiz do Povo, Jorge Moreno (por Gustavo Guimarães)

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Arte do camarada Janderson Paixão

Este é o terceiro de uma sequência de artigos que estão sendo publicados pelo Jornal A Pátria, sendo uma realização do movimento Nova Pátria em entrevista a liderança popular, do Fóruns e Redes de Cidadania, o companheiro Jorge Moreno.

Que importa de uma pátria senão a felicidade de seu povo, dos trabalhadores, os mais humildes? Somos socializados através do medo, a incerteza e a imobilidade a participação política, e o entendimento desses sentimentos descarrega em nós uma grande responsabilidade: a mudança. Ela não virá através de fim natural, como uma competição de quem escreve o livro mais bonito, discursos destoados do chão, da terra, onde pisam os operários, os camponeses, os filhos da nossa nação. A busca pela mudança exige comprometimento, abnegação, disciplina rigorosa, honradez e atroz respeito ao povo.

A negação do medo se tornará a intensificação do ódio: na nossa luta, onde somos politicamente esmagados, socialmente oprimidos, economicamente explorados, há somente o temor e a cólera.

Aos camaradas do Fóruns e Redes de Cidadania, que seguem o caminho da justeza, do fortalecimento de nossa classe, que sonham com a paz, o pão e a terra, de olhos abertos, dedicamos essas palavras como uma singela forma de prestar apoio e confiança nos novos caminhos que foram tomados.

Reproduziremos abaixo a resposta do companheiro Jorge Moreno quando indagado sobre a recepção dos povos camponeses ao serem visitados pelo Fóruns e Redes, e como puderam ajudar estes a superar as barreiras do medo e da incerteza diante de se organizar politicamente.

POVO MANDA, GOVERNO OBEDECE!

Contaremos com a participação do editor das matérias desta série, através dos sinais de parênteses, complementando ou tomando nota de alguma informação importante para o entendimento dos leitores.

Segue a transcrição da segunda parte da entrevista.

JORGE MORENO SOBRE A CONCILIAÇÃO
E O REFLUXO DO MOVIMENTO DE MASSAS NO BRASIL

O povo em geral recebe essa mensagem (de se organizar politicamente) com muita alegria, com muita esperança, o problema é quem filtra isso para eles. Que são aqueles articuladores tradicionais, que ou estão ligados a partidos ou a governos. Eles é que vão de certa forma colocando medo na cabeça das pessoas, “não faz isso, isso não vai dar em nada, nós precisamos ter paciência”.

Como o que aconteceu com o governo Lula, você ia para os locais e aquele coronel tradicional que impunha medo a população, que a violentava, ele era aliado do governo, então era uma coisa engraçada porque você via aquele coronel tradicional que você lutou durante anos, inclusive os próprios militantes partidários, você via na mesma mesa os dois dialogando. E quando iam para as comunidades, eles diziam isso “ele agora é nosso aliado, você tem que ter paciência, nós chegamos agora, é um governo de disputa”, eles inventam palavras demais.

E nisso eles vão, de certa forma, fazendo com que o processo de insatisfação vá se acomodando, vá criando uma certa barreira para receber a mensagem. Acessar outras mensagens de que é preciso a gente avançar, que só a luta que realmente vai transformar a realidade.

Mas o povo em geral é muito receptivo, muito embora a situação seja muito cruel e de violência, são muito receptivos.

Parte da população que tem esses receios é muito pequena. Agora é claro, quando você tem esses filtros, que é o presidente do sindicato, presidente do partido, o padre, a freira, o conselheiro, aquela pessoa que tem o contato com instancias estaduais e nacionais, e quando ele chega e fala, que ele pega a demanda da pessoa e resolve, que foi uma coisa impressionante, passou do discurso de que você pode organizar a população para defender o seu direito para o discurso de que você pode trazer a demanda que a gente resolve.

“Então quando é que você vai resolver?”, “ah, depende de entrar na lei de diretrizes orçamentária, na lei orçamentária, no plano plurianual”, e vai criando um certo prazo pra demanda que não é o prazo da população.

Isso acaba desorganizando, desmobilizando, e o povo percebeu muito isso.

E o que mais nos alegra, que é uma alegria um pouco que diante da tragédia, é de que a história provou que eles estavam errados. Que o que exatamente estamos vendo hoje é um fruto disso. Qual é o porquê do povo não está indo na rua para defender o governo? Porque eles disseram durante muitos anos que não era para o povo ir para rua!

E agora a gente está vendo, as piores pessoas tomaram conta do país e o povo não está conseguindo reagir.

Porque durante anos eles disseram isso, que “olha, tem que ter calma, paciência, as coisas não são assim”, então eles criaram a própria cova deles com essa coisa de dizer que o povo tem que ter mais paciência.

Temos que ver até quando o povo vai suportar essa quantidade de paciência diante de um governo que golpeou, usurpou e está praticamente vendendo a soberania de nosso país.



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