Honduras: policiais se negam a reprimir protestos e cobram respeito às urnas

Relatório da OEA aponta “irregularidades, erros e problemas sistêmicos” na apuração dos votos das eleições presidenciais que impedem definição do processo eleitoral.

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Grupos de policiais de Honduras se negaram, no início da madrugada desta terça-feira (5), a reprimir manifestações populares contra as possíveis fraudes no processo eleitoral do país.

O presidente Juan Orlando Hernández foi anunciado como vencedor, mas o pleito é contestado pelo candidato de oposição Salvador Nasralla, da Aliança de Oposição contra a Ditadura.

“Nosso povo é soberano e a eles devemos, portanto não podemos estar confrontando e reprimindo seus direitos”, afirmou a Direção Nacional de Forças Especiais da Polícia Nacional de Honduras, em um comunicado.

Os policiais pediram ao governo que busque a melhor saída para o conflito no país. “Advogamos que se recupere a paz e a tranquilidade para nosso povo o mais rápido possível”, afirma o texto.

Já à TV, um porta-voz do grupo disse que o movimento é para manifestar ‘inconformidade com o que está passando a nível nacional”, segundo a BBC. “Nós somos povo e não podemos estar matando o próprio povo, nós também temos família.”

Por sua vez, membros do esquadrão Cobras, grupo especial antimotins, apoiados também por agentes policiais preventivos, saíram de suas barracas no norte de Tegucigalpa e se recusaram a reprimir manifestantes que não estivessem cumprindo o toque de recolher determinado pelo governo.

Em comunicado lido a emissoras de TV hondurenhas, os  membros do esquadrão de elite também pediram uma solução para a crise política. “Instamos ao Tribunal Eleitoral que respeite a vontade dos hondurenhos. Nossa posição não se deve a posições políticas, só queremos paz e tranquilidade”, afirmou o grupo.

Observadores apontam falhas

Ainda na segunda-feira (4) Organização dos Estados Americanos (OEA) publicou extenso informe que aponta falhas no o processo eleitoral de Honduras.

Segundo o relatório, algumas maletas que acompanham as urnas estavam abertas e faltavam atas, o que não dá “certeza” sobre os resultados.

“A estreita margem dos resultados, assim como as irregularidades, erros e problemas sistêmicos que rodearam esta eleição não permitem que a missão tenha certeza sobre os resultados”, afirmou Jorge Quiroga, representante da missão da OEA em Honduras.

O documento critica também a falta de transparência do TSE, os problemas de logística e “os altos níveis de improvisação para resolver as situações”. Segundo os observadores, este improviso gerou demora para que as atas fossem escaneadas. Lembrou também do período de 10 horas onde o sistema caiu na quarta feira do dia 29, “gerando mais incertezas” sobre o processo.

A deputada portuguesa do Bloco de Esquerda Marisa Matias, líder da missão da União Europeia (UE) em Honduras, afirmou ver necessidade de uma recontagem dos votos e apontou irregularidades no processo eleitoral. “Para garantir a transparência deste processo e garantir que o voto dos hondurenhos foi respeitado, o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) deve ter flexibilidade”.

Devido à permanência do impasse e as constatações de diversas irregularidades, Nasralla chegou a reivindicar nesta terça-feira (5) a recontagem total de votos, com verificação das atas de votação, ou a realização de novas eleições entre ele e o atual presidente.

RBA – Rede Brasil Atual

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