Globo: Amor, Liberalismo & Sexo (por Bruno Torres)

A Globo não tem problema de reivindicar o feminismo. A ideia “base” de feminismo, aparentemente, não os desagrada. Está dentro do prisma de uma sociedade mais civilizada, mais “tolerante” e liberal.

Eles (a globo) não se espelham na Europa medieval e “inculta”, mas justamente na Europa liberal e “moderna”, assim como nos Estados Unidos, já mais “esclarecido” que tolera os relacionamentos homoafetivos e beijos gays, há muito tempo, nas produções televisivas do horário nobre. Obviamente, são países empurrados como símbolos de “liberdade sexual”, ou no caso, países onde tal agenda “tem avançado mais”.

É de um simplismo querer colocar a mídia tal qual a globo como uma reprodutora de uma moralidade conservadora e antiquada. Quem defende com unhas e dentes uma moralidade deste tipo, audíveis aos pastores de igreja, saudosos de uma moral quase que feudal, são mídias como a Rede Record, canais de Igreja, e as próprias Igrejas em nossos bairros. Esse é o papel deles, não da globo.

A Globo vai defender (e hoje ela tem se consolidado neste caminho), a percepção falaciosa de “liberdade sexual”. Vai se opor aos conservadores que enxergam as prostitutas como escórias que merecem tudo de ruim e apoiar como exemplo de tratamento as mulheres, os países que colocam prostitutas em vitrines, ao lado de tabelas de preço, colocando explicitamente uma mulher como mercadoria, porque naquele país há uma verdadeira “liberdade sexual”.

A Globo vai colocar como modelo de combate ao machismo, não a atuação nas superestruturas morais, culturais, políticas e ideológicas com as mulheres no núcleo dessa atuação politizada (como ocorreu em países revolucionários), mas a falácia da “representatividade” (que ela abraçou sem nenhum problema, já que lhe serve muito bem), e é nada mais do que botar qualquer mulher no preenchimento de cargos independente da agenda que essa mulher vá defender, afinal, “fazer mulheres ocuparem espaços”, sem levar em conta a agenda que essa mulher, na prática, defende, vai ser “necessariamente bom”, não é?

Não, não vai ser (não pras causas populares, inclusive não será bom nem para as próprias mulheres), mas a Globo não ver problemas em permitir isso em seus programas.

O caso “Amor & Sexo” não é novidade, apesar de ter sido colocada dessa forma. Há algum tempo ela, a rede globo, tem tentado “avançar” este tipo de agenda por meio das novelas em horários nobres. Muitas vezes isso causa furdunço na sociedade, discussões, e os setores mais alinhados moralmente ao conservadorismo (do que ao liberalismo) até colocam como “alternativa” as novelas dá Record, afinal, não tem essas “pouca-vergonhas”.

Igualmente há matérias temáticas sobre estes temas em alguns programas de importância, sobretudo no Profissão Repórter (houve uma matéria sobre o “Lola escreva Lola”, por exemplo). Há também o convite, por parte da Fátima Bernardes no seu programa matinal, de feministas, onde o tema passa a ser central nos episódios em que isso ocorre.

O NaMoral é outro programa que segue essa linha. Quando o tema foi homossexualidade, colocaram 3 “especialistas” para debater numa roda em que também se encontrava Silas Malafaia. Isso, tirando o próprio programa e o Bial, que se colocou contra as ideias do Malafaia, também. Foi algo orquestrado para isolar o conservador Silas Malafaia, para descreditá-lo em rede nacional. Sob um prisma revolucionário? Não… sob um prisma liberal!

Setores de tais movimentos identitários, ficaram maravilhados com o famigerado programa (Amor & Sexo). Acharam “empoderador”, “um programa com muita representatividade”, “lacrou na cara da sociedade”. E eu não discordo de nenhuma dessas proposições: o programa foi tudo isso mesmo (teve representatividade, lacre, etc.), mas o que não é algo bom, na verdade, justamente só prova o quanto o conceito de empoderamento, representatividade e de “lacre” são uma completa excrescência, um amontoado de inutilidade.

A globo consegue defender absurdos por meio de uma linguagem “desconstruída”, e de um programa “representativo”, e a “esquerda” aplaude.

Se a esquerda que possui leituras mais aprofundadas acerca do tema aponta todos os problema desse programa e de tal episódio (Amor & Sexo), felizarda é globo, que por meio do programa, agora terá milhares e milhares de feministas para defender todas as propostas ali apresentadas, e se você discordar, obviamente é porque é “machista” ou, se for mulher, com certeza você é “uma mulher que não defende a libertação feminina”.

“Como discordar da sabedoria da lacradora Fernanda Lima, da feminista Djamila, e do grupo Globo?! Obviamente, você é um conservador! Seu lugar? É assistindo a rede Record, quem sabe”.

Se coloca aí a dicotomia.

Se eu não quero ser adepto de uma moral liberal, eu sou conservador. Se eu não quero ser adepto de uma moral conservadora, eu sou liberal.

Não conseguem fugir disso, constroem assim um beco sem saída ilusório.

Nos lembra que a maioria da direita brasileira, é liberal na plataforma econômica, e conservadora na agenda moral. E a esquerda é apenas reformista na plataforma econômica, e liberal na agenda moral!

E essa (falsa) dicotomia é o que aflige a qualquer revolucionário.

Precisamos de uma plataforma revolucionária no âmbito econômico e político, e apesar disso não ser um amplo consenso (devido aos setores reformistas da esquerda), parece ser algo mais claro entre a militância.

Entretanto, precisamos ter uma agenda também revolucionária para a MORAL, e isso parece que é MUITO mais difícil de se ter claro na cabeça da militância. Isso se evidencia mais que nunca quando a gente tem setores da esquerda que tem como modelo de “subversão moral” um programa televisivo da Globo.

Se por um lado esse incidente (do Amor & Sexo) contribui com a despolitização de setores do movimento de mulheres, por outro, já ajuda a separar o joio do trigo, mostrando os setores da militância que, na prática, sempre defenderam uma agenda liberal e contrarrevolucionária, mas agora o fazem de forma cada vez mais evidente.



2 comentários sobre “Globo: Amor, Liberalismo & Sexo (por Bruno Torres)

  1. Eu ainda acho um equívoco quando consideram que a elite brasileira é conservadora, a nossa elite é liberal até a raiz dos cabelos, tanto a Globo quanto a intelectualidade tucana da zona sul do rio e empresariado paulistanos são liberais . Na verdade o conservadorismo é mais forte na classe trabalhadora.

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    1. concordo com você ! e eles enfiam guela a baixo este estilo de vida degenerado atraves de novelas e progamas como esses !

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