2016: O Ano em que a Golden Era ressuscitou no rap nacional!

Finalmente, tomei coragem de fazer aquela retrospectiva sobre 2016 (se fizesse essa matéria antes de favela vive parte 2 eu nunca me perdoaria) e antes de tudo pergunto: Seria pretensioso da minha parte dizer que o rap nacional vive uma Golden Era como anunciou Baco em 999?

“Arranco dentes de ouro e recrio a Golden Era” – 999

Primeiro vamos ter uma aulinha de história e voltar no tempo pra falar sobre a Golden Era.

Golden Era nada mais que um termo dado a uma fase mainstream do hip-hop que começou em 1985 e durou até mais ou menos o começo dos anos 90, uma das principais características da Golden Era é a diversidade e a criatividade que o hip-hop viveu nessa época, todos os artistas da época foram bastante experimentais arriscando junções de estilos musicais e levando o hip-hop para palcos nunca antes alcançados.

(Falar de colaborações do rap com outros estilos e não citar essa chega a ser um pecado)

Os principais artistas da dita Golden Era foram Public Enemy, LL Cool J, Run DMC, KRS–ONE, Eric B & Rakim, De La Soul, Beastie Boys, A Tribe Called Quest, Big Daddy Kane, EPMD, Slick Rick e os Jungle Brothers.

O Gangsta Rap também foi fruto da Golden Era com Schoolly D e N.W.A como percussores desse estilo que até hoje é preferência dos fãs de rap de verdade não essa modinhas fãs de rap old school.

Resumindo pra caso você precisar fazer uma redação no ENEM:

A Golden Era nada mais foi que a Era que o Hip-hop se expandiu artisticamente cresceu pra fora dos Estados Unidos. Na Golden Era novos estilos surgiam, os rappers começaram a pensar fora da caixa e estudar possibilidades tanto liricamente quanto musicalmente, os DJs começaram a sair da linha de conforto da Disco Music e criaram estilos de instrumentais únicos e pessoas de fora do hip-hop começaram a consumir artistas do estilo, como exemplo os Beastie Boys que tem bastante fãs do meio do Rock N’ Roll e foi influência de bandas como Limp Bizkit e Linkin Park.

Agora pegamos o Delorean e voltaremos pro Brasil em 2016 e vamos olhar pro rap nacional.

Tivemos Sulicídio, muitos não gostaram, muitos ficaram ofendidos, muitos amaram e muitos abraçaram a mensagem que a música trazia. Mais que um grito de uma região, Sulicídio foi um grito ao rap nacional que existem artistas afiados fora do eixo RJ/SP.

Uma prova viva disso foi a ascensão de monstros como Djonga, Froid, Baco Exu do Blues, Diomedes Chinaski e Atentado Napalm. Também serviu para artistas desse eixo tidos como underdogs mostrarem toda sua força, desses posso citar Lívia Cruz, BK, CHS, Makalister, Febem, e claro o retorno triunfante de Amiri.

Amem ou odeiem, esses 2 fizeram história no rap nacional e elevaram o jogo a outro patamar.

Foi um ano aonde as pessoas começaram não só a saber o nome dos produtores musicais como passaram a admira-los, posso citar o Mazili que ficou bastante conhecido pelos seus trabalhos com Diomedes e Baco, o jonas JXNVS do Nectar Gang que ganhou bastante destaque com os trampos da Pirâmide Perdida, o beat do lotto Pedro Lotto que colecionou hits e milhões de visualizações com Costa Gold e La Viella.

Esse ano nós vimos o Emicida, que começou como MC de batalha invadir a São Paulo Fashion Week com sua marca, seu rap e dizer com todas as letras: “fiz com a passarela o que eles fez com as cadeia e com as favela, enchi de preto”.

HISTÓRICO!

Esse ano lendas mostrarem porquê são consideradas referências e professores pra todo o rap nacional, como o Marechal na faixa “Quem tava lá” do Costa Gold, mostrando pra todo mundo que cês são bb e respeita o pai carai que ele tava lá e nunca teve de brincadeira, teve o tão esperado CD do Mano Brown que mostrou toda a versatilidade e criatividade do Brown e com certeza foi um disco que elevou ele pra um patamar de referência de Black Music. Teve Mv Bill no Cypher Favela Vive Parte 2 mostrando pra todo mundo que ele é um homão da porra um mestre do rap nacional e claro não podemos esquecer o disco póstumo do Sabotage que mostrou pra todo o rap nacional o quão a frente Sabota sempre foi e emocionando todo mundo com a sua lírica única.

13 anos após sua morte Sabotage deu uma aula pra todo rap nacional.

Abrimos o Youtube e o que realmente tá bombando? Clipes de rap, canais sobre rap, entrevistas com artistas do meio rap, análises de músicas de rap. Qual o estilo musical mais escutado do Spotify no mundo inteiro? Sim meu amigo é o RAP!

Os artistas fazem colaborações e cyphers surgem o tempo todo, o rap vive um período bem intenso aonde os artistas se cobram cada vez mais nas letras, aonde nas colaborações alguém sempre surpreende e rouba a cena (principalmente o Djonga).

Cuidado ao chamar esse cara para fazer colaborações, ele tem fama de assassino.

Dizer que o rap nacional vive uma Golden Era não é ser pretensioso ou emocionado, é valorizar e aceitar que 2016 foi um ano que nunca será esquecido no rap nacional, um ano turbulento, um ano intenso, um ano de conquistas enfim foi um ano DOURADO!

2016 foi um ano em que toda semana éramos surpreendidos com trabalhos sólidos (…), uma aura de expectativa pra cada trampo que era anunciado (quem passou quase 2 dias sem dormir esperando Chapei do Don L e da Lay que o diga) parecia que toda semana um trampo aparecia pra bagunçar o ranking pessoal de cada fã para “música do ano” ou “rapper do ano”, quem realmente acompanhou de janeiro a dezembro vai  entender o que eu estou falando (principalmente com Favela Vive Parte 2  e Poetas no Topo lançados aos 45 do segundo tempo).

Sobre as possibilidades que 2016 reservou pro futuro só o tempo vai dizer…, mas daqui a 10 anos em alguma conversa de dois adolescentes sobre rap nacional e quando eles começarem a falar sobre o ano de 2016 e eu vou poder me meter na conversa parafraseando a Tia Livia e dizer: “Eu tava lá!”

Rafael Gaijin Sales*, ODBastarde


*Rafael Gaijin é Pernambucano, projeto de cronista, estudante de gastronomia, malandro nato e MC de batalha que cansou de bater na trave na hora de ir pro nacional e resolveu ser colunista.

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